Betim é passagem
A história da cidade tem início no século XVIII, quando Joseph Rodrigues Betim, cunhado de Fernão Dias, obteve a concessão de terras na região, através de uma carta sesmaria. O povoado cresceu em torno de uma capela construída na parte central, simbolizando a mais nova capela a ser construída nessa região, fato este que iria identificar de forma regional a Capela Nova do Betim, que posteriormente deu nome a localidade, e em 1801, tornou-se um distrito.
As fontes relacionadas a história dos negros muito além de registrar sensos da população de escravos na localidade, apontam a participação do negro na história de Betim, através da movimentação da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário em 1814, onde a referida agremiação, se articulou para a construção de sua Capela em honra a Nossa Senhora do Rosário, que só foi inaugurada em 1897. Este período de mais de 80 anos é marcado pela condição do negro cativo no tempo da escravidão e de sua resistência, por conta das intervenções da igreja católica local.
A religiosidade católica presente na localidade, em 1851, torna-se regionalmente importante com a elevação à condição de paróquia, motivado pelo crescimento do povoado. Fato este, que se fez necessário, a ampliação da Capela no século XIX, tornando-se Igreja. A matriz imponente do distrito compunha o núcleo histórico, que teve seu considerável desaparecimento na segunda metade do século XX, por conta do desenvolvimento, busca da modernidade que como resultado moveu a demolição da velha em 1968. As justificativas para tal ação são inconsistentes. A demolição da igreja velha é sentida até os dias de hoje pelos antigos moradores que viveram uma vida pastoral nesta igreja.
No ano de 1901, período republicano, Betim é elevado como “distrito” da Vila de Santa Quitéria (atual Esmeraldas). E na primeira década do século XX, a instalação de um educandário, a construção da Usina Dr. Gravatá e da Estação Ferroviária que ligava a Capital Mineira a Divinópolis, são fatos que marcaram o início do potencial econômico, cultural e político da região.
Paralelo a este momento histórico surge a Colônia Santa Isabel, que foi um conjunto urbano construído em no distrito de Capela Nova na década de 1920 e inaugurado em 1931 com intuito de segregar aquelas pessoas que eram consideradas inaptas ao convívio social por por terem a hanseníase. Santa Isabel funcionou de 1931 a 1982. Criando neste espaço de tempo uma sociedade multicultural com diversos setores participativos como religiosos, artistas, desportistas e uma classes sociais distintas que movimentaram nestes 60 anos de segregação a Colônia. Na década de 1960 a descoberta de um medicamento eficaz contra a doença mobilizou a comunidade científica que consequentemente começou a desconstruir a necessidade de isolamento. Fato este que se concretiza no início da década de 1980 com o fim do isolamento da inserção dessas pessoas na comunidade.
O processo de emancipação política de Betim ocorreu em 17 de dezembro de 1938, quando a cidade deixou de ser um distrito de Esmeraldas. A partir daí, um novo impulso econômico e social começou a ser delineado, com o processo de industrialização de Betim, que se iniciou na década de 1940, quando as primeiras indústrias foram introduzidas na cidade. Esse processo se intensificou nas décadas seguintes, especialmente após a construção da rodovia Fernão Dias, que aumentou o potencial de expansão industrial da região.
As empresas mais importantes que se estabeleceram em Betim foram a FIAT Automóveis S/A, que foi inaugurada em 1976 em Minas Gerais, a REGAP - Refinaria Gabriel Passos, inaugurada em 1968, a KRUPP Indústrias Mecânicas entre outras. Hoje Betim se tornou eminentemente urbana, com uma população de mais de 450 mil habitantes, de acordo com a pesquisa realizada pelo IBGE em 2019. A industrialização de Betim trouxe muitos benefícios para a cidade, como a geração de empregos e o aumento da renda da população. E se prepara para ganhar um aeroporto, chamado de "Aeródromo Inhotim", que terá como foco inicial a aviação de carga.
Betim tem histórias que marcam os caminhos que se cruzam, sejam eles por viajantes e cavalos no período colonial, pela estrada de ferro que ligou a capital, pela BR 381 que trouxe a indústria automotiva, ou num futuro muito breve, com mundo pelo ar, Betim é passagem!

Museu Vivo: primeiros conceitos
O Museu Vivo da Colônia Santa Isabel propõe transformar o próprio território em espaço de memória, reconhecendo ruas, lugares, vivências e narrativas da comunidade como patrimônio. Mais do que uma exposição, é um processo contínuo de ressignificação de uma história marcada por dores, resistências e reinvenções, tendo os moradores como protagonistas e principais curadores de sua própria memória.

Patrimônio, nosso de cada dia
Mais do que proteger, a política de patrimônio educa, valoriza e cria uma cultura de pertencimento.